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Discurso proferido pelo advogado Luiz Octávio Rocha Miranda Costa Neves, em agradecimento à concessão da Medalha Tiradentes pela Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, publicado no Diário Oficial.

Senhoras e Senhores:

Serei brevíssimo, para atender ao pedido do meu grande amigo e incentivador, Dr. Hélio Saboya, que infelizmente não pôde estar presente fisicamente, porém, certamente o faz em pensamento.

Mas, é tão grande a minha alegria que necessito fazer esta peroração.

É com o coração transbordando de emoção e júbilo que assomo a esta tribuna para proferir estas breves palavras pelo recebimento da Medalha Tiradentes.

Não só em agradecimento à Ilustre Deputada Aparecida Gama, que propôs meu nome a consideração de seus pares nesta assembléia legislativa, e aos oradores que me antecederam e proferiram tão gentis palavras - de apresentação a meu respeito, – talvez exageradas e imerecidas, pois me fizeram pensar: "Estão a falar de mim?"

Agradeço, ainda aos ilustres integrantes desta casa de leis, que - talvez num momento de desatenção e benevolência - aceitaram este simples advogado para integrar o rol dos condecoradas com tão honrosa comenda.

Espero, sinceramente, estar à altura de investidura de tal monta e significância.

Isto porque, A Medalha Tiradentes foi instituída pela RESOLUÇÃO Nº 359 DE 1989 em 8 de agosto de 1989 e é destinada a premiar pessoas que hajam prestado relevantes serviços à causa pública do Estado do Rio de Janeiro.

E é a mais alta condecoração concedida pela Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

E eu, que com tal honraria sou agraciado, me vejo como um simples operador do direito, um advogado que há quase 30 anos desenvolve o seu ministério privado, tentando dignificar minha profissão, exercendo-a como um sacerdócio.

E tal qual Calamandrei, considero também uma honra ser perguntado por um filho a que profissão seguir, poder, sem a menor sombra de dúvidas, indicar o Direito. E foi o que fiz, ao indicar a meu filho e sócio Luiz Felipe, continuar neste Sendero virtuoso.

E é o mesmo Calamandrei, no seu indispensável livro "Eles os juízes vistos por um advogado", tantas vezes indicado aos inúmeros estudantes de direito a quem tive a honra de iniciar na pratica processual como estagiários em meu escritório, muitos aqui presentes, que bem define "certas tristezas e heroísmos da vida dos advogados", dizendo:

"Se o réu pobre e obscuro encontra a seu lado, mesmo nos processos mais disputados e perigosos, o defensor que fraternamente o assiste, isto significa que no coração dos advogados não encontra abrigo apenas a cupidez de dinheiro e a sede de glória, mas também, com freqüência, a caridade cristã, que impõe não deixar o inocente a sós com a sua dor e o culpado a sós com a sua vergonha. Há, porém, algo mais: quando alguém passa perto da violência que ameaça o direito e, em vez de prosseguir em seu caminho fingindo não ver, pára indignado para interpelar o prepotente, e sem cuidar do perigo que corre lança-se generosamente na briga para tomar a defesa do mais fraco, que tem razão, isso se chama coragem civil, que é virtude ainda mais rara que a caridade."

E continua o mestre:

"Ora, os advogados praticam cotidianamente, como os médicos, essa forma de solidariedade humana que consiste em fazer companhia a quem se encontra face a face com a dor. Por isso, as profissões do advogado e do médico foram chamadas, melhor que profissões liberais, profissões de caridade".

Em recente entrevista que o ex-presidente do IAB Dr. Celso Soares, me concedeu no programa "Falando de direito e justiça", programa da UNIJUCARJ que apresento às sextas-feiras na rádio Catedral FM, o ilustre entrevistado, dirigindo-se aos jovens advogados e aos estudantes de direito, sintetizou um conselho em uma palavra: SOLIDARIEDADE.

E foi com estas lições que tentei pautar minha prática profissional nestas 3 décadas em que sempre lutei pela prevalência do Império da justiça sobre o império das leis.

Neste aspecto cabe a lembrança de Paulo Barile, comentando a capa do já citado livro do mestre Florentino, escreveu: "veja, leitor a vinheta deste livro:uma balança, em que o prato que contém uma rosa é mais pesado que o que contem um código: ou seja: a poesia vence o direito."

Como dizia Marx: A prática como critério da verdade.

Foi fácil? É claro que não, pois as adversidades foram muitas.

Mas, tive a sorte de ter a meu lado como companheira, amante, confidente e amiga a minha adorada Ana Elena, minha princesa, mais do que mulher e mãe dos meus filhos, verdadeiro farol a me guiar com acolhimento nas noites escuras e tempestuosas e estrela solar a iluminar as radiosas manhãs de bonança.

A ela, meu amor e meu agradecimento pela inesgotável paciência e espírito de renúncia cristã e perdão pelos meus pecadilhos e por todo e qualquer sofrimento que tenham lhe causado.

E também, a Deus que me iluminou com 3 filhos incríveis, cada um a sua maneira: Sabrina, Luiz Felipe e Luiz Guilherme, o amor eterno e incondicional do papai.

Também, os meus sogros, Gracinha e Sadi, verdadeiros pais e amigos.

Aos meus queridos irmãos, aos meus tios e compadres Sonia e Hélio, aos meus sobrinhos e sobrinhas, as minhas afilhadas e demais familiares;

O exemplo de vida e a saudade de minha mãe Maria Helena e de minha avó Rachel, que tão cedo nos deixaram, meu amor eterno.

O Meu querido Desembargador Murta Ribeiro, padrinho in pectoris na nova caminhada (ou empreitada), não sei bem, a que me proponho;

O meu presidente do IAB Dr. Henrique Maués, minha amizade e lealdade eternas.

Os inúmeros amigos, que não ouso destacar sob pena de cometer uma inaceitável injustiça.

Meus agradecimentos e fiquem certos que desde sempre sonhei com este dia. E como advogado militante que sou não poderia ser diferente.

Minhas senhoras e meus senhores, é com muita honra e orgulho que recebo a Medalha Tiradentes, prometendo a todos prosseguir, no enfrentamento das relevantes questões que a sociedade hodierna impõe a todos nós "lavradores", estudiosos e operadores do Direito. Muito obrigado!

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