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Artigo: A PAZ É FRUTO DA JUSTIÇA.

Por Desembargador Siro Darlan - Presidente do Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente e Membro da Associação Juízes para a Democracia.

"A Campanha da Fraternidade desse ano nos leva a refletir sobre fraternidade e segurança pública como forma de provocar nos cristãos uma participação mais ativa na busca da paz social.

O documento editado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil é dividido em três partes e coloca no Judiciário uma grande responsabilidade pelos resultados ansiados por todos o que desejam o equilíbrio social e, como conseqüência a paz. A primeira parte denominada VER parte de uma análise conceitual da busca de uma vida segura através das relações humanas que sejam capazes de entender o conflito suas origens e tipologia para uma busca saudável de superação dos conflitos.

Aborda a questão do medo que dificulta a confiança entre os semelhantes e gera o preconceito e faz um estudo sobre os discursos que falam sobre a violência, a corrupção e a injustiça social. Passando por uma análise das políticas públicas de segurança afirma que a principal razão da existência de uma força pública de segurança é a garantia dos direitos humanos. E aponta sinais de esperança nas ações solidárias e de proteção social e das ações sócio-transformadoras que o sistema democrático participativo estimula como forma de assunção de uma responsabilidade social coletiva.

A segunda parte do documento nos leva a refletir sobre o importante ato de JULGAR. Primeiramente sob o prisma teológico mostra a mudança do paradigma anterior ao cristianismo quando a vingança era o instrumento prevalente e vigia a Lei do Talião. Com a civilização cristã o amor deve renovar o mundo e a doutrina é a da “paz aos homens de boa vontade”. A valorização da família como berço onde deve ser plantada a paz direciona-nos a uma reflexão sobre a necessidade de proteção às crianças que tem o direito a uma família bem constituída que lhes promova o ambiente sadio e amoroso.

A promoção da segurança pública passa pela proposta de valorização da dignidade da pessoa humana e do respeito ao próximo e a terceira parte do documento nos convida a AGIR. A ação contra as causas de insegurança passam pela mudança de um modelo centrado no econômico-financeiro que coloca no topo da pirâmide os valores econômicos e coloca a moeda como finalidade da existência humana gerando violência, frustração, exclusão social e negando à maioria os princípios éticos que visam o bem comum.

A prevalência do poder econômico gera a injustiça social por privilegiar a elite econômica em detrimento da pessoa humana mais necessitada. Esse fato é decorrente da desvalorização da pessoa humana como credora da dignidade que encabeça a Carta Civilizatória da Nação brasileira. O resultado está sendo chamado de crise econômica mundial com sérias repercussões em todas as nações do planeta, inclusive nas mais ricas.

A pobreza, a miséria, a fome e a exclusão social que provocam a insatisfação das necessidades básicas da pessoa humana, tais como alimentação, moradia, vestuário, saúde, educação, além das conseqüências sociais como o desemprego, a falta de saneamento básico e a falta de cuidados com a sustentabilidade do Estado são fatores geradores da violência.

Em outra mão a programação que promove uma mentalidade violenta e conflitiva, com grave desrespeito aos valores indicativos de uma cidadania plena, que alguns meios de comunicação patrocinam são elementos que impedem a elaboração e engajamento num projeto social inclusivo que leve à superação da insegurança pública.

Faz-se mister conscientizar as famílias sobre a necessidade de assumirem o papel da educação dos filhos na cultura da harmonia e do respeito mútuo. A promoção de processos de mediação dos conflitos e da justiça restaurativa em muito contribuirão pra a educação dos jovens na cultura da paz. Impõe-se uma mudança na política de segurança pública que impeça que o extermínio de jovens brasileiros continue sendo aplaudido e incentivado por alguns meios de comunicação social.

A sociedade precisa entender que o combate da violência pela violência tem gerado o sacrifício de vidas inocentes com justificativas falsas. Não há objetivos bem intencionados quando os números a apontam que enquanto morreram 729 jovens com até 18 anos no conflito que aflige os povos de Israel e da Palestina no período entre 2000 e 2006, morreram no Rio de Janeiro 1857 adolescentes. Entre 1978 e 2000, segundo dados noticiados pelo ISER, morreram por projéteis de arma de fogo na Colômbia, país que inspirou o projeto de política de segurança pública do Governo do Estado, 38000 pessoas, no mesmo período morreram no Rio de Janeiro 49000 fluminenses, ou seja, morrem 3,5 pessoas por dia em nosso Estado Maravilhoso. Esse não pode ser o caminho da paz tão almejada, nem a opção de união da família fluminense."

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